terça-feira, 28 de setembro de 2010

Conservação de Cordas Dinâmicas

Conservação de Cordas Dinâmicas


A corda dinâmica aparece como um dos principais equipamentos para escalada em rocha, tanto para garantir

A corda dinâmica aparece como um dos principais equipamentos para escalada em rocha, tanto para garantir sua segurança nas ascensões como para possibilitar uma descida tranqüila. Como não temos no nosso país um fabricante nacional de cordas dinâmicas, os únicos equipamentos que dispomos são os importados e, sendo assim, caros. Por isso, e também porque somente usaremos realmente este equipamento num momento de alto risco, devemos zelar pela sua integridade, afim de mantê-lo sempre em condições de uso e em perfeito estado de conservação, aumentando o quanto for possível a sua vida útil.
Porém, antes de mais nada, precisamos definir o que representa a vida útil de uma corda. Muitos fabricantes anunciam que uma corda que não tenha sofrido quedas deve ser aposentada entre 1 ano, quando é utilizada com muita freqüência e sob condições extremas e no máximo 5 anos quando possui pouca utilização. Porém, particularmente, sou contra tal definição - até porque , uma vez que são muitas as variáveis que realmente definem o uso de uma corda, como o tipo de escalada em que é submetida, a região em que se usa com maior freqüência, o equipamento de freio que é utilizado, o zelo e o cuidado em sua armazenagem e utilização e etc. Sob esta ótica, podemos definir que a vida útil de uma corda vai depender mais do tipo de escalada ou do cuidado que o escalador tem com ela, que se ele a utiliza muito ou pouco.

Podemos então definir que um dos maiores responsáveis pelo encurtamento da vida útil de uma corda é o sol. Como sabemos, o sol agride as fibras sintéticas, enrijecendo-as e tornando-as quebradiças. E uma corda com fibras quebradiças não me aparenta muita confiança... Claro que ninguém quer falar aqui para você escalar na sombra ou a noite. O que devemos evitar é deixar a corda exposta ao sol, principalmente quando queremos secá-la. É melhor deixá-la na sombra, em lugar seco e arejado, mesmo que ela fique "fedida", que secá-la ao sol. Outra dica importante é evitar deixa-la exposta ao sol entre uma via e outra. Se for possível, abrigue-a do sol e do calor, deixando-a numa sobra.

O segundo inimigo da corda é, por incrível que pareça, a própria rocha, principalmente as abrasivas. O negócio aqui é evitar o atrito desnecessário. Pêndulos somente se inevitável, pois pode ter certeza que em cada ida e vinda, a corda tem um monstruoso desgaste. Devemos ter uma atenção especial também à técnica conhecida como TOP ROPE ou CORDA DE CIMA. Apesar de ser uma excelente técnica para quem está iniciando no mundo da escalada em rocha, é também um agressor fenomenal às cordas, pois devido ao atrito com a rocha, a capa acaba por se desgastar mais que o normal, causando danos irreparáveis e as vezes até danificando permanentemente a corda. Para resolver isso, verifique bem o ponto de ancoragem do Top Rope, e os pontos em que a corda tem contato com a rocha. Se puder, use um protetor de corda, evitando o atrito. Evite, novamente, o pêndulo, no caso de queda do escalador. Como o fator de queda praticamente inexiste neste tipo de escalada, dê preferência a cordas mais velhas (mas que estejam em condições) e mantenha as novas para escaladas com maior risco de queda.

Aliás, falando em queda, caso você venha a sofrer uma grande, tipo fator 2, faça uma vistoria em toda a extensão da corda, verificando se houve ou não rompimento da capa e/ou rompimento ou enrijecimento da alma. Caso encontre estes defeitos, inutilize a parte defeituosa, cortando-a em 2 pedaços. Se notar que ocorreram várias rupturas ao longo da corda, não mais a utilize para escalar. Também deve-se evitar "marcar" o meio da corda com tinta. Pode agredir a fibra da corda, enfraquecendo-a. O mesmo se aplica a colas de fitas adesivas. Muitos fabricantes, inclusive, não recomendam a utilização de esparadrapos nas cordas, uma vez que o material do adesivo pode deteriorar as fibras.

O uso de equipamento de freio também agride a estrutura da corda dinâmica. O freio oito, por exemplo, torce demasiadamente a corda. Quando ocorrer isso, o melhor a se fazer é deixá-la pendurada, com toda a sua extensão aberta por algum tempo. Porém como nem todo mundo pode deixar uma corda pendurada em local alto o suficiente, estique-a em lugar limpo e seco e deixe-a por algumas horas, assim as fibras voltam ao normal. Outro cuidado muito importante, diz respeito a velocidade da descida, quando do uso de equipamentos de freio. O atrito da corda com o equipamento, se a utilização for muito rápida, pode gerar temperaturas acima de 300ºC, e acaba por fundir a alma e a capa da corda, enfraquecendo-a, e impossibilitando seu uso, além de prejudicar o próprio equipamento de freio.

Outra dica importante, é evitar a utilização da corda diretamente no pino P para a prática do Top Rope ou da Segurança, pois gera maior desgaste da corda. Sempre prepare uma equalização ou, pelo menos, passe uma fita no P e passe a corda por um mosquetão com trava. Obviamente que isso não se aplica ao rapel para a descida da via.

Não pise na corda, pois algumas partículas de cristais e terra ficam presas na capa da corda, e quando pisa-se nela, estes cristais adentram à alma da mesma, podendo causar pequenas rupturas, que a enfraquecem. Pelo mesmo motivo devemos evitar arrastá-la na terra ou sujá-la em demasia. Se isto ocorrer lave-a em uma banheira, tanque ou em uma bacia grande, utilize apenas sabão neutro, de preferência de coco, e deixe-a secar na sombra por alguns dias.

Não utilize qualquer tipo de secagem mecânica ou por temperatura, pois poderá ocorrer enfraquecimento das fibras da corda.

Quando for guardá-la, evite deixar nós apertados. Para a sua estocagem, prefira lugares secos e ventilados, longe dos raios de sol e do calor.

Com estes cuidados, provavelmente a vida útil de sua corda aumentará, e ainda trará maior confiança quando estiver guiando aquele "crux" difícil

Marcelo Coutinho

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Ancoragens e Rapell em chapeletas e coisas que NAO devem ser feitas

Forma Correta de equalizar uma parada dupla em chapeletas :

a) mosquetões de trava em todos os pontos  (sempre fechados)
b) a parte "estreita" do mosquetão (se for um mosquetão do tipo HMS ou Pêra) deve estar na "fita"
c) "voltinha" na fita que irá ficar no mosquetão "base" (o mosquetão na extremidade do "V")
d) ângulo estreito formado entre os vértice do "V"  (esse ângulo obrigatoriamente tem de ser inferior a 60 graus)

Uma ancoragem equalizada da forma descrita acima distribui as forças de forma igualitária (50% - 50%) para cada uma das chapeletas (ou "P"s).

A Segurança para o escalador (se for o caso) deve ser dada a partir do freio utilizado (ATC, Grigri, etc..), ou seja, ela *NÃO* deve ser dada a partir de alguma "costura" colocada em uma das chapeletas (ou "P"s).  Entretanto, isso é super comum, como na imagem a seguir, portanto, vamos as demais formas INCORRETAS de como fazer....
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Parada equalizada com "Costura Guia"

Essa forma *INCORRETA*  de montar-se uma parada é muito comum e frequente, o escalador ao invés de utilizar um mosquetão de trava (no exemplo, ele estaria no lado direito), utiliza uma Costura, que ao mesmo tempo equaliza a parada na chapeleta, e também já serve de "guia" para a corda do escalador que irá guiar a escalada a seguir.

Isso é muito comum, e também perigoso... Em caso de queda do escalador, antes que ele clipe-se à primeira proteção após a parada, o fator de queda será muito elevado (muito próximo de um Fator 2), gerando um enorme força de impacto que será praticamente dissipada em sua totalidade na chapeleta (ou "P") no qual encontra-se a costura...

Na prática, uma parada montada dessa forma não está equalizada, pois em caso de uma queda (antes da primeira costura após a parada) "toda" a força do impacto não será distribuída no sistema, e sim recairá sobre apenas uma proteção fixa, podendo levar todo o sistema a falhar.

O correto é montar como na primeira imagem desse artigo, e dar-se a segurança a partir da cadeirinha do escalador.

Dica : Se o risco de queda for alto ou considerável para o guia, é vantajoso que o escalador, assim que chegar a parada, continue mais um pouco (se a corda "der" para tanto, obviamente) e costure a próxima proteção fixa, descendo então até a parada e já deixando a próxima "enfiada" previamente protegida com a corda e uma costura na primeira proteção após a parada.
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Parada equalizada com nó "boca-de-lobo"

No caso em questão, estou ilustrando uma parada montada com um nó "boca-de-lobo" em uma chapeleta, mas poderia ser em um "P" que os motivos pelos quais isso está INCORRETO são os mesmos :
o nó "boca-de-lobo" diminui a resistência da fita em quase 45%. Ou seja, uma fita que foi projetada para suportar cerca de 2200N (Newtons) de força, em nó desse tipo, quase não suportaria a metade de sua especificação...

No exemplo, a coisa é crítica ainda pelas bordas afiladas de uma chapeleta... portanto, sem maiores comentários...

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Parada pseudo-equalizada *sem* a volta na fita

Parece tudo em ordem, certo ?  O que acontece se uma chapeleta ou um mosquetão clipada a chapeleta falha ?

Pois é... tudo errado... o escalador esqueceu-se de dar uma volta na fita... Se qualquer uma das chapeletas (ou ""P") apresentar alguma falha, toda parada desmonta-se e não oferece-se qualquer tipo de segurança.


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Parada montada com o "Triângulo Americano" ou "Triângulo Americano da Morte"

Não, eu não sei a origem desse nome... mas esse tipo de equalização é mundialmente conhecido por esse nome.

Não irei entrar nos detalhes das forças envolvidas na fita e nas proteções, mas isso JAMAIS deve ser feito, essa parada *NÃO*  está equalizada, as forças *NÃO* estão distribuidas 50% - 50% entre as proteções e na verdade, o escalador está em vias de em caso de queda, provocar um grave acidente.


Ângulo (graus)
Percentual  (V)
Percentual (triângulo americano)
050%70%
6060%100%
9070%130%
120100%190%
140150%290%
150190%380%


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Parada montada com costuras

Esse é o tipo de parada costumeiramente montada para escalada em "top-Rope", nesses casos (e apenas nesses casos), se o ângulo for estreito, é algo "tolerável".

O ângulo no "V" deve ser o mais estreito possível.. confira a tabela anterior...

Entretanto, essa forma de equalização JAMAIS deve ser utilizada em escaladas com mais de uma "enfiada" ou "esticão", assim como não deve ser utilizada em outras situações.

No exemplo da imagem ao lado, o mosquetão "Pêra" foi montado no lugar onde estaria uma eventual corda...
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Parada "aberração da natureza"

Bom, vamos aos erros :

  • Utilização de costuras para montar uma parada (deveria ser apenas mosquetões com trava)
  • Uso de mosquetão com trava e costura em um mesmo olhal de chapeleta... fica tudo "apertado" e os mosquetões não se movimentam livremente.
  • Não já nada equalizado... na verdade, é quase um "triângulo americano"...

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Com respeito a "P"s, nunca passe um nó "boca-de-lobo" por dentro de um olhal de um "P", pois além da perda de resistência da fita em 45%, pode haver alguma rebarba de solda ou mesmo algum ponto de ferrugem que literalmente pode vir a cortar a fita...

A forma correta de clipar-se (para fins de ancoragem ou parada) a um "P" é idêntica a de chapeletas : com o uso de mosquetões de trava (com a trava fechada, claro).

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Como quase toda regra tem excesão... caso o grampo "P" esteja com o olhal afastado da rocha, você *não* deve clipar-se ao olhal (pois isso apenas iria aumentar a força de TORQUE no sistema), e sim tentar DIMINUIR  esse torque, nesse caso, utilizando-se de um nó boca-de-lobo o mais próximo possível da rocha....

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Jamais passe uma corda ou cordim ou cordelete diretamente por dentro de uma chapeleta. O ângulo é muito agudo (nas bordas da chapeleta) e facilmente pode cortar a corda durante um simples rapel.

DICA : existem chapeletas específicas para isso, com argolas, com bordas suavizadas (tipo as chapeletas desenvolvidas pela Bonier), ou até mesmo os grampos "P", nas quais as cordas podem ser passadas por dentro do olhal sem maiores danos
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Rapel diretamente em uma chapeleta

Em caso de necessidade, essa é praticamente única forma correta de montar-se um cordelete para abandono em uma chapeleta.
Ele (o cordelete) deve ser unido utilizando-se um nó de oito ou preferencialmente um nó de pescador *duplo* , e passado por dentro da chapeleta, e a corda, por sua vez, é passada por dentro do cordelete.
O cordelete deve ter um diâmetro de no mínimo 7mm para oferecer um mínimo de segurança neste rapel.
coisas15Sem comentários... além da área em contato com as bordas afiladas da chapeleta ser muto pequena, o nó boca-de-lobo diminui em 45% a resistência do cordelete utilizado.
coisas16Novamente... uma aberração e *não* deve ser feito, pelos seguinte motivos :
área de contato muito pequena entre o cordelete e a chapeleta
uso de nó de pescador simples. O nó de pescador simples diminui a resistência da corda em (inacreditáveis) 51%, se fosse utilizado o nó de pescador duplo, a perda da resistência seria de apenas 26%.
  
É isso... boas escaladas, com segurança !

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ESTÁGIO AVANÇADO DE SALVAMENTO EM MONTANHA

BOMBEIROS SE ESPECIALIZAM NA ÁREA DE SALVAMENTO EM MONTANHA

Devido a região de Redenção no Sul do Pará, ser uma região de serras e montanhas, o MAJ BM PAMPLONA Cmt do 10º GBM intermediou a vinda do instrutor 3º SGT BM Marinaldo da Silva instrutor do (CSMont)  do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro que juntamente com o CB BM Coutinho E SD BM Vanderson do 10º GBM que já possuíam o referido estágio , para aplicarem  técnicas de escalada e salvamento em área montanhosa. O estágio avançado foi ministrado para dezoito militares, sendo 14 bombeiros e 04 policiais Militares, que concluíram o estágio estando assim  aptos para realizarem busca e salvamento em áreas montanhosas.
O Cmt do 10º GBM levará proposta para chefe da divisão de ensino e instrução para que o Grupamento de Redenção seja a Unidade de Formação de Especialistas em Salvamento em Montanha uma vez que temos campo escola e especialista para formar montanhistas no estado.